quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Boiadeiro da Estrada

Boiadeiro Da Estrada

Sou pedra no seu caminho
Viajo muito sozinho pelas noites
Madrugadas
Sou rei do gado festejo na lua
Guardo os seus beijos
Sou boiadeiro da estrada
Acordo sempre sorrindo
Sem destino vou seguindo
Pensando na minha amada
Às vezes estou chorando
Lembrando me apaixonando
Quanto amor na madrugada
Já guardei o meu cavalo e meu
Violão também
Já tomei milhões de pinga
Para esquecer o meu bem
Pra esquecer do passado do
Meu amor sem ninguém
Pra esquecer do passado do
Meu amor sem ninguém
Sou rei do gado sou vaqueiro
Sou peão
Passa a fronteira dentro do meu coração
Sou terra firme dediquei-me na canção
Será que a vida é amor sem ter perdão

Campineiro Rei



CAMPINEIRO REI

Boiadeiro


Apesar do deserto em que se transformou a São Vicente, nas baias ainda o cheiro estrume; a mistura dos suores boiadeiros com a respiração dos animais; o capim molhado pelas chuvaradas quase diárias. O pasto não há mais, é terra empobrecida, moradia de ervas daninhas. O cultivo de hortênsias é morto e tudo o que existe são, quando muito, flores brutas, deseducadas, sem beleza. Ociosa contra a vontade, a roda d'água como que resmunga silêncios, mau humor. Alguém interpretasse seus protestos mudos, veria: a qualquer instante retornará ao trabalho, assim que a antiga cascata, barulhenta de contentamento, nascer outra vez do interior das pedras. Enquanto isso, lá no fundo da estrebaria, um homem ainda existe. Enxergando os cenários real e imaginário, apesar dos olhos. Respiração embaçada, pálpebras querendo adormecer para sempre.

Nem se pode afirmar aquele caminho fosse uma estrada honesta: antes, trilha aberta na campina já sem personalidade, tanto mato mastigando as margens da antiga ligação entre os vinte e poucos quilômetros existentes entre a cidadezinha e a porteira. Contudo, um sujeito envelhecido demais segue, exato o cansaço personificado num boiadeiro. Já sem o inseparável alazão que há muitas curvas atrás marcara encontro com a morte, após uma vida enorme e cúmplice e sacrificada. Não mais domestica burros xucros, tampouco derruba bois brabos pelos chifres. Nem por isso abandona o chapéu de couro e toda a indumentária típica do ofício. Que não exerce faz tempo. Naquela época era um satisfeito na vida, homem pleno: fedendo a excrementos bovinos; constantes cigarros de fumo desfiado e envolto em palha; aguardente no fim da labuta à noitinha, prosa adernando à esquerda e à direita como bêbada estivesse; as gargalhadas dos manos tão exaustos quanto felizes. Por isso insiste arrastar os pés gretados naquela terra batida que o empurra para a velha fazenda. Quer abraçar novamente, quem sabe pela última vez, seu berço e destino. Antes que a terçã devore suas forças. E as tosses expulsem o restolho de sangue fatigado ainda existente nas artérias do corpo. Corpo? Eufemismo... Melhor rasgar as máscaras do verbo: carcaça viva. Teimosa em manter-se ereta. E é um pé ferido após o outro, lentos sob a noite, marcando descalços o chão amarelo.

Aperta com carinho o cigarro de palha entre os dedos. Respiração difícil. Fumaças, muitas, sobem. Mas não evaporam: como que tangidas por boiadeiros invisíveis, atravessam os janelões da estrebaria e o telhado sem quase nenhuma telha, por onde mergulha um luar azul, oblíquo. Morto em pé, senta. Atira longe o bornal magro. Encosta todas as dores, os músculos exauridos, os ossos, nas tábuas arruinadas da parede lá no fundo da construção. Escarra. Um fio de saliva pende do lábio inferior, querendo fugir. Sede medonha, de quem precisa beber o mundo. Apalpa algibeiras com saudades da santinha, parceiros desde quando se perdeu, molecote, nas brenhas da floresta vizinha à São Vicente, procurando encontrar o primeiro bezerro desgarrado de sua vida. Bolsos vazios, entretanto: ela, também ela, mesmo santa, me disse até nunca mais. Na certa apeou do gibão lá na estrada, esqueceu minha pessoa sem reza que dê jeito. Também... essa pá de morte chegando perto demais... Quantas horas ainda tenho nas mãos? Na verdade verdadeira isso pouco importa agora e na hora de nossa morte. Amém. Resignado, lança fumaças grossas que engolem, névoa, todo o ambiente. Enquanto as janelas se fecham, mansas. Com aquela mesma sabedoria disfarçada de velhinhas simpáticas quando estas em suas casinhas abrem calmas e risonhas as janelas que sempre cumprimentam varandas e terreiros.

A lua parece enfastiada, sem muita vida, mas ainda encontra ânimo para alumiar, luminária característica dos palcos teatrais, cena que aos poucos e mal definida vai se construindo a alguns metros diante do cristalino direito, neblinado pela catarata: um boiadeiro, menino que só, adentra a estrebaria conduzindo novilhos; lá fora é sol bastante para mangalargas tranqüilos no pasto, imenso e gramíneo mar; dois cabras à toa encostados no mata-burro, outros tantos aboiando três, quatro, manadas; mãos mulheres aguando hortênsias; brincadeiras de crianças com os perdigueiros; braçais e o debulho no paiol onde o milho diariamente os espera; uma falange de gansos passa grasnando, na mesma afobação de quem furta; a roda d'água gira feliz, com seu ritmo compassado e uma certa música que aplaude a vida contagiante da São Vicente. Imagens que se repetem iguais na mesma seqüência, videoteipe infinito. Contudo, não usasse também os olhos do devaneio e da lembrança, enxergaria sem muita nitidez: os nevoeiros do cigarro de palha e do olho enfermo são espessos demais para permitir.

Agora resta um nada, se a memória não o engana. Mais outra curva, depois aquele antigo córrego tão filete d'água que nunca mereceu ponte. O sol, encerrado o expediente no mundo, fecha as pálpebras: o firmamento veste um longo preto, vestido de noite. Existe uma lua cortejada por estrelas apaixonadas, cada qual pretendendo-se mais diamante. Constelações, criaturas femininas, são mesmo assim... brincos pingentes que parecem balançar na ventania gelada que sopra de todos os lados do planeta. A mesma friagem que, até certo ponto, cauteriza dores musculares e as provocadas pelos ferimentos. Os machucados de aqui dentro (oxalá eu tivesse sabença pra entender todos eles) até nem doem tanto, de tanto que é boniteza esse céu piscando feliz pra mim...

Boiadeiro velho e sem préstimo cuja vontade única na vida é morrer com algum sossego, a beleza da noite o faz lembrar da primeira e inesquecível imagem que possui guardada de sua própria pessoa, quando ainda criança: sentado num mourão de cerca, ele observava, boquiaberto, Campineiro domar égua alazã arredia por demais. Os gritos, a firmeza no laço, o animal escoiceando até cansar, a força física teoricamente impossível àquele corpo magro. Aí chegou perto de mim, suarento, olhar secava qualquer pimenteira, a cara franzida. Cruzei os braços. Encarei sério e com medo a pessoa mais benquista de toda São Vicente, logo depois da Sinhá. Por quanto tempo ficamos medindo a gente? Complicado saber, tenho cabeça fraquejada pra contas. Só me perguntava quem de nós ia arredar os olhos primeiro. Eu é que não! No final ele riu um bocado da nossa peleja sem palavras e disse aos companheiros: homem, seu menino! E não é bem verdade que esse cabôco miúdo aqui vai ser cabra-macho?! Podem escrevinhar! Daqueles batutas que esbofeteiam a cara de touro metido a brabo, e o bichão, com chifre e tudo, esconde a rabiola entre as pernas, igualzinho que nem cachorro frouxo. Ouça, moleque: em nome do boiadeiro raçudo que você vai ser, eu te batizo Campineiro Rei. Vai me substituir à altura, tenho certeza. E estamos conversados. Agora cama, que a noite hoje está agalopada... falta uma migalha qualquer de tempo pra ela apear por essas bandas. Volte amanhã, e depois, e depois... e sempre. Vou ensinando manso as espertezas da labuta. Só tem uma coisa que não posso dar ensinamento: a sua cantiga. Cada um desses aí ó, bons no laço, tem uma. Mais logo, quando for dormir, aconselho moer o bestunto na modinha que vai te seguir por toda a vida. Desça da cerca. Agora vá. Lugar pra menino quando o céu está assim todo belezura de estrelas é debaixo das cobertas, a cabeça no travesseiro e as idéias cavalgando outras estrelas, as do pensamento... Oxente!... Êta ferro, que um palavrório arretado de bonito trepou em mim de jeito hoje, cabroeira!...

A brasa do cigarro adormece lenta, fazendo companhia à secura da sozinhez, à evaporação daquela vida com cheiro de capim e estrume que estava ali há não faz muito. Imagens, sons da São Vicente... para onde? A guimba ele esmaga entre as mãos trêmulas, e farrapos do fumo escapam pelos dedos e repousam no chão. Querendo brotar? É poeira de lama seca, a terra, contudo. Dói os olhos a febre incandescente, ruminando o corpo rarefeito. Paredes erguidas com tábuas irregulares, lazarentas, vêm abaixo, um segundo após o outro. Uma a uma. Como pedras dominós, caem para o lado externo da estrutura. Desabam sobre o terreno ocupado pelo abandono. Os caibros, que um dia foram leito para telhas serenas, porém, não: continuam. Pilastras de madeira sustentam. A lua, esposa que reconhece não haver mais espaço para exibir ao amado sua feminilidade, entristece e murcha, se liquefaz em lágrimas: chuvisca. Conseqüência, estrelas infelizes por verem destronada a rainha do céu noturno, fogem para a Terra, em disfarces pirilampos. Súditas, órfãs, apaixonadas. Aos milhares, voam em fila mais ou menos indiana a partir do horizonte. Seguem em procissão, velas acessas que piscam alternadas. A caminho do corpo boiadeiro, alquebrado corpo, quase falecido e quase vivo corpo.

Não obstante a catarata, ilumina-se com o próprio sorriso ao enxergar, logo após a curva, a fazenda. O negrume mal transgredido pela claridade escassa da lua torna difícil cores e pormenores das construções capengas existentes atrás da porteira semiaberta, carcomida; o pasto expulso pelo matagal; o paiol tão ferido que irreconhecível; a casa-grande é um esforço heróico em manter-se digna, colonial, nariz em pé como nos tempos de ontem; a estrebaria destelhada. Entretanto, os dois ipês, que jamais negavam sorrisos a quem visitante do latifúndio, conservam-se flores, lindos. Quanta boniteza, Santinha! Ato num repente: joelhos se machucam nos pedregulhos do chão, persigna-se. Emoções, risca no pó do caminho uma reza querida. Outra crise de tosse, agora acompanhada de muita dor no tórax. Levanta-se, ultrapassa a porteira em direção à estrebaria para morrer em paz. Entra. Apóia as costas na parede. Deixa escorrer o corpo. Senta. Põe para funcionar o cigarro de palha, espécie de amigo.

Cadáver ainda não morto por completo, uns sangues arteriais vêm à boca em golfadas. E o mundo é um planeta vermelho. Semicerra as pálpebras, rindo satisfeito porque a vida lhe diz adeus. Ainda existe tempo para enxergar os vaga-lumes se aproximando velozes. A cabeça pende ligeiramente para a esquerda. Uma lágrima do olho débil escorrega, inunda a íris vizinha que aos poucos embranquece... embranquece... encatarata. Agora dois, os olhos leitosos não vêm os besourinhos iluminados pousarem todos no corpo que, num último fôlego canta a velha toada composta por ele quando estava aprendendo a função boiadeira:

_ Eu vou tanger minha boiada entre as estrelas do céu...
Cumprimentar minha sinhá com o meu chapéu...
Que é de couro sim...
Sou Campineiro Rei...

Pensamento de Boiadeiro


Prepare o seu coração para as coisas que eu vou contar. Eu venho lá do sertão, um sertão longínquo, diferente, uma terra do nunca, longe do equilíbrio, além das brumas de uma Avalon que para muitos não existe. E o que digo pode não lhe agradar. Aprendi a dizer não, não à estupidez, não à normose, o normal dentro da neurose. Aprendi a ver a morte sem chorar, a morte física e a dos hábitos caducos. E penso que é isso em mim que muito lhe incomoda, já que há muita coisa fora do lugar e eu vivo prá consertar. Afinal, por que estou onde estou? Percebi a marcha da boiada e saquei que nela já fui mestre, doutor e rei, seguindo os mornos e insossos com um belo cabresto que ver não ousei. Também reconheço que já fui boiadeiro com laço firme e braço forte. Naquela ótica, filhos, alunos e colegas mais jovens eram feitos para obedecer sem direito a questionamentos. Havia aprendido bem com os governos dos anos 60 e 70. Pelos anos de estudo, idade e títulos, eu era o dono do conhecimento, guia e sócio da boiada. Aclamado, segurei muito gado e muita gente durante a vida metódica e castrada, ensinando o único caminho certo, aquele de entrar um dia no matadouro com orgulho e marca registrada. Seguia como num sonho, ou pesadelo, onde boiadeiro era um rei. Mas o tempo foi passando, o mundo foi rodando, as visões se clareando, até que um dia acordei! Então, caíram os cabrestos, os tapumes invisíveis a olho nu, e não pude mais seguir altivo, valente, dono de gado e gente. Afinal, gado a gente tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente! Lembrei-me da Bell, cujos algozes ainda se chafurdam nos tempos de boiadeiro-rei, esquecendo-se dos fortes ecos da pradaria e dos bumerangues energéticos que fazem grandes estragos na volta imprevisível em meio à tempestade e à ventania. Vejo que há ainda muitos que se dizem mestres e doutores que seguem seus sonhos de boiadeiros-rei, ferrando, engordando e matando quem ousa desafiar as cartilhas amareladas, pregando que a ciência é definida pelo conjunto de lambanças e abusos onde se lambuzam. Nas reuniões, primam pelas falácias e pelo inútil. Na Física, a boa é só a clássica, onde observador não interfere no observado, onde aluno é só objeto e as experiências que valem só ocorrem com equipamentos do mundo ideal e irreal. Segundo os emissários de laço firme e braço forte, quem deixa esses maravilhosos equipamentos de lado e leva os alunos para práticas abertas à natureza, é ignorante e não entende de boiada. Física Quântica na saúde e na vida é pura bobagem! É como Avalon ou o gato de Schrodinger que, na prática, não existem. Para esses boiadeiros-rei, é preciso ser sério na ciência, mesmo que morto. O morto sério, moralista e castrado, nunca acha que está morto. Para os inúmeros boiadeiros-rei, o “até que um dia acordei” ainda não chegou. E, olha, se você não concordar, não posso me desculpar, pois não canto prá enganar. Vou pegar minha viola, deixar você de lado e cantar noutro lugar. Fica você com a mesmice que lhe é conhecida, o engodo do caminho único, insistindo em florear e bendizer o matadouro, seu fúnebre objetivo final. Quanto a mim, vou para lugares onde, como diz F. Capra, até as pedras ouvem. Ficaria feliz, entretanto, se você se questionasse, mesmo que nas sombras da noite, como fez Nicodemos. Ah, se você quisesse ir até mais longe do que eu, construindo um reino que não tem rei! Seria uma disparada na sua espiral evolutiva. Quer vir? Quem sabe um dia quando você, de verdade, entender a mensagem.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Ogum na Umbanda

Ogum na Umbanda é São Jorge, ou como os umbandistas chamam São Jorge Guerreiro. As lendas de S. Jorge remontam da época das Cruzadas; sua armadura foi levada da Capadócia para a Inglaterra, de onde é padroeiro.
Segundo as lendas, ele teria sido um destemido guerreiro, um vencedor de batalhas, de dragões e protetor de fracos e oprimidos.
Por sua personalidade forte de guerreiro, sendo conhecido pelos seus fiéis como "santo forte", "vencedor de demandas", "general da Umbanda", etc.
São Jorge é extremamente popular e, através de sua sincretização com Ogum, tornou-se o padroeiro da guerra e da tecnologia, simbolizando todo aquele que trabalha nas linhas de frente, abrindo novos caminhos e alargando fronteiras.
É fácil entender o porque da grandeza de Ogum, já que ele foi o escolhido, pelo Criador, para ser o comandante de todos os Imalés. Ogum é o rei do ferro e protetor de todos os que venham a trabalhar com instrumentos metálicos. Conhecido e festejado na África como padroeiro da Agricultura.
Na Umbanda, Ogum continua comandante (Tata) e guerreiro invencível. Se na África seus sete nomes coincidem com os das sete cidades que formavam o reino de Irê, na Umbanda eles se tornaram as falanges que seguem :
a) Ogum Beira-Mar - age nas orlas marítimas;
b) Ogum Yara - age nos rios;
c) Ogum Rompe-Mato - age nas matas;
d) Ogum Malê - age contra todo o mal;
e) Ogum Megê - age sobre as almas;
f) Ogum De Lei - age junto com a justiça;
g) Ogum de Ronda - age nas ruas, do lado de fora das porteiras;
... e pra cada falange, atuando em uma região ou em conjunto com alguma força.
A incorporação de Ogum é fácil de se perceber:
Seus filhos tomam uma forma militar com os ombros retos, peito estufado, andar ereto e com a mão ou dedo esticado acima da cabeça.
Cor: Vermelho e branco
Planta: Espada de São Jorge e palmas brancas e vermelhas
Guia: contas de cristal vermelha e branca, dependendo da falange podem ter maior predominância de uma cor do que de outra.
Local: Estradas, limites, beira de trilhos do trem.
Saudação: Ogum Inhê! Patacori Ogum!

Orixás, A Quem Pertence ?



Os Orixás pertencem a nós ou nós é que pertencemos a Eles? Temos a posse de seu culto e o direito de reclamar esta posse, a quem queira cultua-los fora de nossa realidade? Ou será que Eles, como Divindades, estão muito acima de nossos egos e vaidades? Estão muito acima do direito de posse? Algum tempo atrás acompanhei uma discussão, sobre o fato de se cultuar Yemanjá nos rituais de Wica , a Sacerdotisa Wica defendia que Yemanjá é a Deusa, enquanto outras Sacerdotisas defendiam que a Deusa não poderia ser Afro e Umbandistas acharam um absurdo "levar" Yemanjá para um ritual Wica . Sabemos que Yemanjá , ao atender alguém, não lhe pergunta qual a sua religião, logo a Sacerdotisa que se entenda com Yemanjá . Já imaginaram o Papa reclamar o direito exclusivo em cultuar e amar a Jesus e os demais Santos Católicos, todas as outras religiões Cristãs deveriam " devolve-los " para Roma e nós Umbandistas teríamos que nos desfazer de nosso sincretismo com os Santos e inclusive seriamos acusados de deturpar o culto aos mesmos, já que somamos a eles os valores " afro-amerindios ". Ouvimos falar que certos Orixás não são da Umbanda , bem de quem eles são então? Divindades têm donos? Podem alguns Orixás ser de Umbanda e outros estarem nela por engano? Ao que sabemos todos Orixás tem a mesma Origem Yorubá , a mesma origem nos Cultos de Nação, onde na África cada Nação tinha o culto voltado ao seu Orixá, considerado o ancestral de todos ali. Mas o Orixá tem vida própria, ele é Divindade, é um Trono de Deus, não precisa de nós para existir e sim nós é que precisamos deles para existir, mesmo que muitos de nós não o saibamos. Para atender as necessidades de diferentes grupos sócio-culturais surgem novas religiões, pois a cada dia surgem novas realidades, mas é sempre o mesmo Deus e claro as mesmas Divindades que ressurgem . Às vezes com nomes diferentes e outras vezes com os mesmos nomes. Os Orixás aparecem na Umbanda , mas já dentro de um outro contexto, diferente dos Cultos de Nação, de outra forma , pois é uma religião diferente. O " preto-vélho " (que para os Cultos de Nação é " egum " e não incorpora no mesmo "chão" que o Orixá ) , nos apresenta os Orixás, todos quanto ele conhece no Astral, todos quanto ele cultua em espírito na " Aruanda ". E aqui na Terra, na matéria, ainda se discute se estes Orixás são de Umbanda, que duvida podemos ter? Se quem os apresenta a nós é o mesmo "preto-velho", não há duvidas, pois somos filhos destes Orixás. O filho reconhece o Pai e o Pai reconhece o filho. Não teria o filho de mudar de religião, para continuar com o mesmo Pai ou Mãe, já que uma vez reconhecida à paternidade divina dos Orixás, pouco importa o que outros digam, o que importa é que ali ele foi apresentado ao filho. Apesar de termos um Pai e Mãe de Cabeça, somos filhos de todos Orixás !!!


Por: Alexandre Cumino

Orixás de Frente, Ancestral e Adjunto


Orixá Ancestral é aquele que magnetizou o ser assim que este foi gerado por Deus e o distinguiu com sua qualidade original e natureza íntima,imutável e eterna.Poderemos reencarnar mil vezes e sob as mais diversas irradiações, e nunca mudará nossa natureza íntima.

...Orixá de frente é aquele que rege a atual encarnação do ser e o conduz numa direção no qual o ser absorverá sua qualidade e a incorporará às suas faculdades, abrindo-lhes novos campos de atuação e crescimento interno permanente.

...Orixá Adjunto é aquele que forma par com o Orixá de frente, apassivando ou estimulando o ser, sempre visando ao seu equilíbrio íntimo e crescimento interno permanente.


...A cada encarnação, há troca de regência de encarnação.E nessa troca, os seres vão evoluindo e desenvolvendo faculdades relativas a todos os Orixás.
...Na ancestralidade, todo ser macho é filho de um Orixá masculino e todo ser fêmea é filha de um Orixá feminino.
...Existem sete naturezas masculinas e sete naturezas femininas tão marcantes que é impossível ao bom observador não vê-las nas pessoas.
...Podemos identificar a ancestralidade de alguém observando o olhar, as feições, os traços, os gestos, a postura etc., pois estes sinais são oriundos da natureza íntima do ser, apassivada pela regência de encarnação, mas não anulada por ela.
...Podemos identificar o Orixá Adjunto nos gestos e nas iniciativas das pessoas, já que é por intermédio do emocional que ele atua.
Parte do texto retirado do Livro: "Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada "
Obra de Rubens Saraceni.

A Entidade Tem Que Dizer Tudo?


Maria Padilha das Almas
Mensagem recebida em 16/04/08
Médium Mãe Vanessa Cabral
Dirigente do Templo Universalista Pena Branca
(Terreiro Filiado ao Centro Espiritualista Caboclo Pery)

Sempre escuto isso: “A Entidade tem que falar tudo!” E sempre digo isso: “Claro que não!”
Até quando meus filhos, vocês vão fingir que não entendem? Porquê “burros” vocês não são! Não vêem que não somos os donos da verdade? A verdade está dentro de cada um de vocês e Deus independe da verdade ou da mentira... Ele é onisciente, ou seja, tudo só Ele o sabe!
Já olharam para si mesmos, procurando identificar o quanto há de orgulho neste pensamento? É como se vocês se achassem mais importantes do que os outros e chegam até pensar que, nós todos, espíritos em evolução, tivéssemos a obrigação de dizer o que vocês por covardia não falam! Mas falam que nós, Exus e Pomba Giras, não seguramos a língua dentro da boca! E vocês? Basta virarem as costas pra soltarem a língua também!
Não somos iguais a essas “máquinas” de fazer dinheiro, que soltam uma “bolada” pra chamar a atenção do mundo inteiro! E repito, pra chamar a atenção do mundo inteiro, assim: “Joguem, joguem mais, cada vez mais”
Jogar? Só se for jogar fora, iah, há, há... E enquanto isso, nem percebem que o que vocês têm é o que realmente tem valor! Passam uma vida inteira tentando viver que nem um doutor! E acabam vivendo que nem um computador! Iah, há, há, joga o laço seu Zé, no filho de pouca fé!
Já devem estar pensando: “Nós todos, espíritos em evolução, mas e os espíritos de luz?” Iah, há, há... Nós todos, espíritos em evolução sim, pois a escuridão só existe no pensamento dos filhos! Se todos caminham para a eternidade, só pode haver Luz, pois na escuridão ninguém caminha pra lugar algum, iah, há, há...!
Nos olhos de quem vê, é tiro na certa...
Nos olhos de quem crê, é bala que adoça a alma e logo enxerga!